são paulo pré-natal e ano novo
Continuo achando que a capital não é o lugar ideal pra se viver. Mas não posso negar o fascínio que a cidade exerce em mim, e em qualquer pessoa que não use cabresto. Os poucos dias que passei aqui foram suficientes para matar a saudade mórbida que sinto pelo caos, concreto e fumaça.
Andando hoje de manhã pela Liberdade / Sé / Centro em busca de presentes de natal para namorada e familiares (e não existe lugar melhor para custo-benefício em DVDs, livros e CDs), os olhos dos camelôs, na Galvão Bueno, estavam vidrados daquela típica forma que ficam nos momentos de tensão pré-RAPA. Mas ao contrário dos tradicionais gritos e apitos que antecedem a correria, um gigantesco mulato, de cavaquinho em mão, surgiu do nada com seus dentes enormes mostrando um sorriso de malandro. Começou a trinca básica RÉ-LÁ do pagode, murmurrou um "é issaí..." e começou:
ÓI O RAPA, ÓI O RAPA
QUE CHEGOU NO MEU QUINTAL
OS POLIÇA NA CARA-DURA
NÓIS SAINDO NA CARA DE PAU.
A voz ecoava por todo o pontilhão da Liberdade em meio a correria, lonas embrulhando DVDs (três por dez) e gente tomando sorvete no sol escaldante.


